Oi Pedro! Aqui é a mamãe.
Ainda não te tenho em meus braços, mas quero te dizer uma coisa: você já
é o maior amor que tenho na vida e faço tudo por você.
Sempre quis ser mãe cedo – penso que herdei esse desejo da
minha criação, pois minha mãe me teve nova e me sinto privilegiada com tantos
benefícios. Tudo foi acontecendo naturalmente, e por incrível que pareça, o
destino conspirou a favor do nosso encontro. Em 5 anos tudo aconteceu. Conheci
o Wilian, seu pai – que é maravilhoso! Somos muito diferentes, logo você
perceberá... Mas isso nos completa, e cada pedra que encontramos em nosso
caminho, estamos juntando e construindo um castelo! Nossa história vem seguindo
passos bem tradicionais: namoramos, noivamos, compramos a nossa casa, casamos
no civil e após no religioso. E aí, passando o casamento, um importante assunto
veio em pauta: filhos! Sempre conversamos que iríamos ter logo após, e pouco
antes da data da cerimônia eu já havia ido ao médico para me preparar. E então,
numa conversa, pensamos em deixar acontecer... Visto que a maioria dos casais
levava de meio ano a um para engravidar, pensamos ser um tempo ótimo para nos
organizarmos melhor. Mas, deixar acontecer? Não foi bem assim. Decidido, pesquisamos
todas as maneiras e tabelas para engravidar. E então, no mês seguinte, com um
dia de atraso da menstruação, estava seu pai na farmácia comprando teste de
gravidez.
POSITIVO!
Mas, será? O segundo risco deu tão fraquinho... Não
acreditando, pedi que comprasse outro teste. E adivinha? Positivo novamente.
Seu pai ficou surpreso e muito feliz ao mesmo tempo, e eu, não conseguia
acreditar. Um misto de emoção com surpresa tomou conta de mim. Chorava e ria ao
mesmo tempo. Será que estava pronta? Será que fui egoísta? Estava preparada
para ser mãe? Só tinha certeza de uma coisa: você estava vindo e eu precisava
me preparar. Tão esperado e tão amado já antes mesmo de sua concepção.
Os dias seguintes foram marcados com felicitações e muita
alegria (você é o primeiro neto nas duas famílias, primeiro bisneto dos meus
avós, e primeiro tataraneto da minha bisavó – imagine a felicidade!).
Ultrassons, exames de sangue, consultas ao médico, presentes em cinza, amarelo
e branco, e muita – mas muita – pesquisa na internet. Uns dois aplicativos no
celular, acompanhando a sua evolução a cada semana. Eu e seu pai até medimos na
régua de vez em quando para saber seu tamanho. Não tive muitos sintomas (no
início muito sono e azia), então às vezes era até difícil acreditar. Quando
vimos sua imagem a primeira vez no ultrasson e ouvimos seu coraçãozinho,
sentimos uma emoção tão grande... É inexplicável! E a cada ultrasson é uma nova
surpresa, uma nova descoberta. Quando estava de 12 semanas, o dr. palpitou que
estava vindo um menino (o que alimentava mais a minha suspeita, pois sempre que
entrava em uma loja, amava tudo com a cor azul – e não mais me chamava a
atenção para a cor rosa, que era tudo o que via antes da gravidez). Então
aguardamos mais 3 semanas e tivemos a confirmação: Pedro a caminho!
Tão logo descobrimos e não esperamos: começamos a montar seu
quartinho. Ah, o carrinho, bebê conforto e Moisés já estavam aqui em casa
antes! Vovó Vivi começou os bordados na cor azul, e no meu aniversário, os
presentes vieram quase todos para você (e eu adorei!). Meu mundo ficou mais
lindo e mais azul!
Em meio a tantos acontecimentos, também tive algumas partes
cinzas. Muita alteração de humor (mesmo explodindo de felicidade, minha vontade
era de ficar quieta). Muito choro, irritação... Mas imagine: meu corpo e rotina
mudaram completamente, e precisava me adaptar. Voltei a praticar exercícios
após o terceiro mês (mamãe é jiu jiteira, e com todo cuidado e várias
restrições voltou aos treinos, o que fez muito bem!), a azia sumiu, e quando
estava tudo voltando ao “normal”, fui surpreendida com uma restrição a
alimentos com glúten e lactose. Hoje encontramos muitas opções, mas os
primeiros dias não foram fáceis. Passear nos corredores do mercado e ver que
quase todos os alimentos que comprava não podiam mais entrar na lista. Mas não
era o fim do mundo! Encontrei muitos outros que substituíam e estou me
acostumando. Sabe o que é engraçado? Que tudo isso me deixaria bem mais para
baixo se você não existisse. Chorei e fiquei triste, não vou negar. Mas você me
motiva e me dá alegria. É meu primeiro pensamento e agradecimento do dia. E se
alguém me pergunta, respondo que não tive sintoma nenhum! Poderia ter sido bem
pior a adaptação da sua chegada em meu organismo – mas foi ótimo! Só tenho a agradecer!
E agora, no quarto mês, ainda emotiva, a barriga apontou,
para felicidade do papai e da mamãe! Já colocamos músicas para você ouvir e
relaxar, e a cada dia nos preparamos mais para a sua chegada e te dar o melhor
que temos: AMOR! Queremos curtir cada momento, e esperamos ansiosamente seu
primeiro chute (que possamos sentir, pois sabemos que você já é bem espuleta e
faz a maior festa na barriga da mamãe!).
Obs: já sentia uma enorme vontade de escrever há muito
tempo, e fui deixando ela de lado... Acredito que a leitura ficou extensa
porque tinha muito sentimento acumulado para um “desabafo”. Mas vou guardar com
carinho, e espero que um dia você goste de ler!
Com carinho, da mamãe
que te ama muito.
Letícia
